Caro colega taxista que dia desses transportou uma morena estonteante até o aeroporto. Saiba que ela é minha passageira. Saiba que ela me contou sobre a música em inglês que o sr colocou a rodar e da tradução simultânea que o sr fez, na tentativa (patética) de impressioná-la. Não, colega taxista, ela não sentiu-se atraída pelo seu bigode, nem pelo seu cabelo trabalhado no gel, muito menos pelo seu conhecimento da lingua inglesa. Saiba que além de linda, minha passageira é tradutora juramentada do idioma bretão. A graça que ela achou, na verdade, foi do seu papel de ridículo!

Ah, sim, caso o sr leia este post, ela pede para avisar que Moonlight Serenade quer dizer Serenata ao Luar. Nada a ver com “Lua de chocolate”.

Tenho um colega que mora em Viamão, abaixo do cemitério velho. Ele disse que quase toda tempestade acontece de um caixão escapar e descer boiando pela sua rua. Na enxurrada de anteontem, o esquife teria trancado no boeiro! Ventania, escuridão, água invadindo as casas, o morto sacolejando na esquina, acossado pela correnteza, os mais corajosos agarrados às alças do caixão, tentando desobstruir a canalização… Sufoco!!

E eu que pensava ser o taxista mais mentiroso da praça.

No banco de trás, a vovó se interessa pelo meu livro.
— Taxitramas…
— Sim, histórias aqui do táxi.
— São coisas que acontecem no táxi?
— Sim. Sou o autor.
— Quem é o Autor?
— Eu. Sou o Mauro Castro.
— É taxista, o autor?
Nesse ponto, percebi que ela tinha problemas de audição. Comecei a gritar.
— SIM, SOU EU, O AUTOR, SOU O MAURO!
— O senhor já leu esse livro?
— SIM, SOU O AUTOR!!
— Diário de um taxista…
— (suspiro)
Nesse ponto, passei a responder por gestos.
— É pra vender?
— (Sinal de positivo)
— Quanto custa?
— VIN-TE!! (sinal de vitória, dois dedos em “V”)
— Não conheço o autor, Mauro Castro… Será que presta?
— (sinal de positivo com o dedão e com a cabeça)
— Deve ter autógrafo na Feira… vou comprar lá.
Desisto.